Por mais que eu já tenha 17 anos na minha cara(ainda que devido a meus 1, 58 metros de altura costume ouvir muito "em que série você está? Oitava?"...), admito que minhas atitudes não exatamente condizem com essa idade. Pelo menos não da imagem que eu tinha dela. 17 anos sempre me pareceu particularmente distante - e eu realmente não sei porque meu idealismo era um ano mais novo do que a da maioria(creio eu que sonhem com 18 anos...). Agora, há poucos meses de chegar a essa idade desprezada, me pergunto que diferença faz. Eu continuo jogando muito videogame, continuo gastando todas as economias dos meus pais com mangás, continuo dormindo todos os dias depois da meia noite mesmo com meu desempenho escolar dando provas de que já não sou tão jovem para acordar às 6 da manhã e não sentir meus pés como duas barras de chumbo a cada passo que dou(bom, talvez seja mais culpa daquelas rampas imensas da escola...), e, mais importante, quando me perguntam "e o vestibular?" a primeira resposta que me vem à mente é "aah, ainda tem tempo...", por mais falsa que seja - tudo que falta é eu reconhecer tal afirmação como uma inverdade, o que de forma infantil tenho me recusado a fazer.
Tudo isso porque hoje foi a primeira fase da Uerj. Na verdade o nervosismo tomava conta de mim talvez desde semana passada, mais especificamente, desde domingo, 15, quando, ao fechar os olhos na espera pela segunda feira que viria, lembro de ter desejado que a semana passasse muito devagar.
De certa forma, passou. Preparei de véspera uma apresentação de Geografia que supostamente devia levar meia hora - da qual, felizmente!, grande parte foi tomada pela professora =p; fomos apresentados a Um Cão Andaluz, filme que desde que fora lançado em dvd e anunciado na sessão cult da SuperInteressante pensava em ver, por mais que a tal "cena do olho" me desse repúdio - e, sim, meus olhos se fecharam instintivamente quando a faca se aproximava do rosto da mulher, e, na verdade, acho que os 20 e tantos minutos de Um Cão... foram um dos mais inúteis da minha vida, ok, pra época podia fazer muito sentido aquilo tudo, mas hoje fica algo apenas sem pé nem cabeça...; consegui, depois de MUITAS buscas, a trilha de Dançando no Escuro, o que me motivou a buscar a discografia da Bjork, mas por que não moramos no Japão e temos downloads que duram 4 segundos, afinal...?; fiz o temido teste oral no IBEU e meu inglês macarrônico foi até relativamente elogiado - enfim, deveria agradecer aos seriados que me ensinaram =p
De pequenos acontecimentos em pequenos acontecimentos, o tempo foi passando, independente da minha vontade de segurá-lo contra sua progressão natural, e chegamos a esse fatídico domingo. Na frente do local de prova às 7 da manhã, não pensava em muita coisa - na verdade, o "quero ir pra casa" ou qualquer outro suplício inútil nem sequer passou pela minha cabeça, ao contrário do que imaginava. É algo de minha personalidade, de certa forma, eu tento ao máximo evitar determinadas responsabilidades - especialmente se estas são determinantes para um certo "futuro" -, mas, uma vez que estão na minha frente, tento levá-las sem tantas preocupações. Seria isso algo valoroso ou apenas mais um reflexo de minha interminável irresponsabilidade...? De qualquer forma, naquela fila que ia crescendo a cada minuto, a medida que via jovens e mais jovens que aparentemente não pareciam tão diferentes de mim, embora provavelmente alguns com aspiraçoes maiores que as minhas(talvez eu nem saiba o que motivaria, ainda), ia ficando mais fácil. Some-se isso a uma senhora absolutamente adorável que, com imenso bom humor e sensibilidade, tentava sempre nos manter mais calmos do que nossos olhos arregalados mostravam que estávamos, e aquele início, pelo menos, não foi tão desesperador - e, acredite, sou do tipo de pessoa que literalmente entra em pane se o começo de algo se mostra difícil demais, a exemplo daquelas provas cuja primeira questão não sei fazer =PpP
Um celular posto dentro de uma sacola que, contrariando o que eu esperava, se mostrou absolutamente impossível de ser aberta ao término da prova ¬¬", e uma inspetorazinha mal educada que não respondeu meu "bom dia" ou sequer olhava para os candidatos mais tarde, estava eu na sala do teste. Sentada ao lado da janela, me preocupava em observar as árvores - é incrível como aulas de habilidade específica sempre te colocam pensando em como qualquer coisa ficaria desenhada. Provas entregues viradas pra baixo, de algum lugar oculto surge um grito de "INÏCIO DAS PROVAS!!!!", alguns segundos perdidos reprimindo a vontade de gargalhar derivada de tal acontecimento, e enfim estava frente a frente com o primeiro dos 4 textos da prova de Português. 4 horas que passaram tão rápido, e eu desejava mais tempo, se tivesse, veria o absurdo de 14 - 9 = 3(por que eu erro contas idiotas, meu Deus? Por quê?), mas pensar no que poderia ser não faria essa possibilidade se tornar passível de acontecer, de qualquer forma.
Se fui bem? Não sei.
Mas quando me perguntarem quanto ao vestibular, talvez consiga responder um "Jornalismo". Reticente, mas já um avanço.
Ela amava música pop. Por ABBA tinha uma adoração especial. Mamma Mia era amada por ela de tal forma que não podia explicar. Cantarolava a letra da música a qualquer momento,em qualquer situaçao, se ela viesse a mente. Nao importava, era seu ABBA, seu "Mamma mia! Here I go again!", e não havia nenhum momento desfavorável para cançao que ela considerava simplesmente perfeita.
Ele na verdade não se interessava muito por música. Os pais eram intelectuais(ou era o que parecia, sob seus olhos ainda idealistas), e passara a infância ao som de Beethoven. Da Sonata ao Luar, para ser mais exato. Não sabia se a tocavam tanto por ser a única peça erudita que conheciam, ou se era mera questão de gosto. Mas, quer queira ou não, acabou gostando daquilo. Músicas ao piano para ele eram o que havia de mais perfeito. Ou era a única execuçao musical que tolerava, a critério pessoal.
Ela tinha paixao por bichinhos de pelúcia. A Hello Kitty era um caso a parte. Se decidisse contar quantas bonecas da gatinha japonesa tinha, passaria semanas vasculhando sua casa. Há Kitties por todo o canto. Embaixo da mesa, em cima da cama, jogadas sobre o computador. Não se incomodava em saber o número exato, tudo o que queria era que aumentasse. Mais e mais hello kitties fofinhas para abraçar.
Ele colecionava actions figures. Não as tocava. Ficam guardadas no armário de vidro da sala. Seus preciosos bonequinhos, que, independente do que seu nome faz pensar, náo foram feitos para se brincar. Eram para ser admirados. Todos organizados, enfileirados nas prateleiras do armário, numa ordem peculiar que apenas ele sabia estabelecer com a perfeiçao que gostava.
Ela amava rosa. Tinha rosa por todos os cantos de sua casa.
Ele não tinha preferência por cor nenhuma. Verde o agradava talvez um pouco mais do que as demais, mas não o suficiente pra transformar seu apartamento numa floresta ou algo do gênero.
Ela não se importava de passar o dia inteiro deitada na cama, zapeando a televisão sem se preocupar em realmente encontrar algo interessante para assistir. Queria apenas a - deliciosa - sensaçao de estar desperdiçando sua vida em favor da preguiça.
Ele não gostava de ócio. Odiava minutos em que nada era produzido. Talvez até mesmo segundos. Os dias nasceram para o trabalho.
Ela chorava com tudo. De comerciais de sabonete aos desenhos do Bom Dia & Compania. Sempre intercalando seus soluços com exclamações do gênero "que lindooo!!".
Ele não suportava pessoas que choram vendo televisao. Passava as férias na casa de uma tia que tinha esse péssimo hábito. Não sabia o que havia de täo bonito nos programas dominicanos de Silvio Santos para a mulher derramar tantas lágrimas, e a verdade é que não tinha a mínima vontade de descobrir.
Ela amava mangás.
Ele preferia comics.
Ela tirava fotos de tudo. Fosse no dia em que ficara em casa sem fazer nada, ou quando de sua primeira viagem pra fora. TUdo merecia registro.
Ele odiava fotografias.
Quando conheceu Eduardo Fortuitto, Ana Carolinna pensou que aquele rapaz arrogante não era alguém com quem gostaria de conviver. Eduardo encontrou algo de odiosamente falso naquela felicidade toda que o sorriso da menina de cabelos dourados passava.
Mas ela queria mostrar para aquela pessoa que só pensava em trabalho que talvez houvesse mais lá fora do que ele pensava. Que bonecos foram criados para você brincar com eles.
E ele queria descobrir se realmente havia uma falsidade na forma como ela ria. Se realmente pessoas naquela idade caiam de amores por Hello Kitties da forma doentia como ela dizia.
Nenhum dos dois alcançou plenamente seu objetivo inicial.
Mas não viam porque desistir. O caminho até ali estava sendo mais divertido do que pensavam, de qualquer forma.
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Bom, tem uma história longa e sem muito sentido entre a Ana e o Eduardo. Criei eles já tem um tempo considerável, uma época botei um fim em tudo, mas era incrível como do nada eles voltavam a clamar que escrevesse suas histórias... Penso em organizar todas que já tenho, mas acho que é algo que ainda vai demorar... Enfim, essa sendo postada só porque eu achei que ficou bonitinha e é uma das poucas que falo de cada um individualmente.
What video game is your personal Game of the Year?
Submitted by SimpleNate.
Viciados em videogame como eu sabem: existem jogos que simplesmente te consomem. Você vai mal na escola, você não sai de casa, você nao consegue manter nenhuma conversa que não envolva o enredo do jogo. Sim, os professores passam a te odiar, seus amigos se afastam, e todo outro tipo de infortúnio social que, em nosso estado normal, seria evitado. Mas do que importa? Sua vida é o jogo.
Ok, a descrição acima é exagerada. Eu não jogava todos os dias, ainda que quisesse - testes e mais testes e trabalhos me impediam de chegar até meu objeto de desejo. Eu nao falava apenas do jogo, ainda que quisesse - mesmo jogando videogame desde que me entendo por gente, tal hábito não tirou de mim a noção(ainda que vaga, no meu caso) daquilo que é ou não aceito socialmente, e eu tenho quase certeza que falar sobre os infortúnios que passo contra a Ruby Weapon e etc não é algo que todos estejam dispostos a escutar com alguma paciência.
Mas o "poder" que esse jogo tinha sobre mim se manifestava quase todos os dias, de qualquer forma - todo e qualquer caderno desse ano tem algum Cloud desenhado em algum canto, e, se me dessem oportunidade, eu seria capaz de discutir aquela história louca por horas e horas. É, até hoje, depois de ter visto o filme, jogado o jogo e visto o anime, ainda não a entendo em sua totalidade. xD
Final Fantasy VII foi o meu jogo do ano simplesmente porque conseguiu o que poucos jogos hoje em dia conseguem: me garantir alguns bons momentos de lazer descompromissado. O jogo não almeja ser mais do que é, uma diversão pura e simples - e é incrível como a própria história nao se leva tão a sério quanto era de se esperar, tendo em vista sua complexidade narrativa(quem não teve uma surpresa com toda a sequência do prostíbulo?). O único porém fica por conta dos gráficos, eu sei, para época podiam ser muito bons, mas, hoje, tempo no qual é difícil distinguir uma personagem feita de pixels de uma pessoa de verdade, ver um Cloud estilo playmobil é algo que quase machuca esses olhos já acostumados com a beleza embasbacante de PS3 e Xbox 360. Nada que tire o brilho do jogo, que consegue fazer se apaixonar até aqueles que pensam que gráficos são fundamentais - fazer falta fazem, mas a história de Cloud e Aerith está aí pra mostrar que não são de tamanha importância.
Ah, sim, FFVII foi lançado a anos e eu só fui jogar agora, em pleno 2007? Ora, nunca é tarde para constatar a genialidade dos clássicos, é? Até porque eu era nova demais quando lançou xD
Meu primeiro contato com outro idioma que não aquele pátria foi - óbvio - com o inglês. Bom, qualquer ser humano de qualquer país que vá a um shopping conhece algo de inglês(pense em quantas vitrines com a palavra "off" você já viu, por exemplo), é verdade. Mas essa foi também a primeira língua que de fato tive que aprender, no auge de meus 12 anos, entrando na quinta série do ensino fundamental.
Ao contrário da maioria das atuais crianças de 12 anos, quando eu tinha essa idade - e prepare-se para algo chocante - meu vocabulário para palavras da língua inglesa não chegava a 100 ou 500 termos. Talvez nem a metade disso. Eu não sabia aquela músiquinha do abecedário que a garotinha cantava no comercial, na frente do molequinho que apenas sabia dizer "ball". É, eu era aquele molequinho. "Ball" pra mim já era conhecimento suficiente. Junto com "reset", "start", "game over" e outros termos que viciados em videogame parecem simplesmente nascer conhecendo o significado.
Os 2 primeiros anos estudando inglês foram tristes. Não sei nem se posso considerá-los "estudo", e ter passado sem enfrentar provas finais até hoje é algo que eu nao compreendo em sua totalidade. Como aquilo foi possível? Para se ter uma idéia, eu cheguei a sétima série sem fazer a menor idéia de pra que diabos serviam o tal do "do" e "did". Sim, existe o "does" também, mas, para evitar maiores frustrações, eu preferia ignorar sua existência. Sabia o "verb to be" inteiro, mas o utilizava no total automático: nos exercícios de preencher as lacunas com a flexão verbal correta, eu simplesmente procurava pelo sujeito. Era she? Então escrevamos "is". You? "Are". E por aí ia. Sem entender nada da frase, me garantia o acerto 90% das vezes.
Na sétima série, as coisas mudaram de figura. Primeiro, a professora dos anos anteriores foi substituída(olha, era um doce de pessoa. Mas não nasceu para lecionar. Não se pode chamar uma leitura de texto seguida de exercícios sem quaisquer comentários ou explicações de "aula", eu acho), e, para a felicidade de meu vocabulário ainda engatinhante, a mulher traduzia todo e qualquer texto. Sim, a aula era absurdamente monótona por conta disso, mas eu queria aprender e esse era um dos meios mais rápidos para tanto. Em seguida, voltei a me interessar por videogames. Zelda Ocarina of Time foi um divisor de águas. Lembro que jogava com um dicionário do lado(e quando não encontrava a palavra que procurava, sempre podia chamar meu pai - paciente, muito paciente - pra traduzir pra mim - e aí está a vantagem de ser a única filha mulher: ele lá ia recusar um pedido meu?), bem como da minha felicidade de entender aquela história que, anos atrás, quando meu irmão jogava, era pra mim apenas uma sucessão de sequências animadas que não formavam exatamente uma linha lógica. Ah, sim, e descobrir que os personagens dão dicas o tempo inteiro sobre o que fazer foi algo surpreendente(e eu gastava meu tempo tentando descobrir sozinha!).
Inglês aos poucos deixou de ser apenas milhares de palavras estranhas amontoadas e passou a fazer algum sentido. A custo de muita jogatina, dvds americanos com legenda na língua mãe, músicas que escutava com os ouvidos grudados no alto falante(ah, "pescar" qualquer palavra me dava uma felicidade boba indescritível), e, sim, de vez em quando eu lia a apostila da escola também ;p.
Hoje, tendo começado a pouco mais de 2 meses curso de japonês, me vejo de novo naquela velha dificuldade que sentia com minha primeira tentativa de ultrapassar os limites que separam o português de línguas estrangeiras. De volta aos meus 12 anos, com I, you, he/she/it trocados por watashi, anata, kare, kanojo - e qual seria o equivalente a "it", em japonês? *Kore/Sore/Are talvez.* xD Dvds com legenda em japonês é algo difícil, mas de música temos bastante, e videogames também. Bom, é verdade que, com 17 anos na cara, sou um pouco mais responsável e não utilizo apenas métodos "alternativos", as apostilas do curso ajudam bastante, bem como meus tão amados dicionários. Mas era tão difícil assim? É isso que com esse texto estou tentando relembrar, se com inglês demorava tanto para eu conseguir mais ou menos me guiar nesse idioma. Constatar que japonês é ligeiramente mais complicado que inglês não é tarefa restrita a apenas poliglotas, mas, de qualquer forma, fica sempre aquela sensação, de não lembrar que aprender outra língua era tão difícil. Ou melhor, não diria difícil(a verdade é que nós, brasileiros, temos uma vantagem imensa enquanto o aprendizado de outras línguas: poucos são os idiomas tão cheios de regras e detalhes quanto o nosso. Então, por mais estranha que uma língua estrangeira pareça, sempre há aquele alívio de ela não ter o 1 bilhão de formas verbais, flexões, regras, tempos e etc que tornam nossa língua mãe tão problemática - complexidade essa que a torna absolutamente linda, mas que não deixa de ser absurdamente irritante, de vez em quando), diria "devagar".
Talvez em retrospecto tudo pareça mais rápido do que verdadeiramente foi, mas, meu Deus, eu fiquei parada no "I am Marianna" por tanto tempo???
Postado por Lily Lala, que espera conseguir absorver a paciência japonesa juntamente com seu idioma em breve
PS: Sim, junto com inglês eu estudava francês. Mas francês sempre foi uma brincadeira, decorar os verbos e nada mais. Eu até entendia mais que inglês, mas não sei. Talvez a proximidade com o português, as regrinhas, tudo aquilo me irritasse um pouco. De qualquer forma, desde que não precisei mais cursar francês na escola, esqueci tudo e não faço questão de lembrar. ^^ Quanto a espanhol, venho lutando para afastá-lo do famigerado "portunhol"(saber que "lo" não é o equivalente gramatical correto ao nosso "o" foi uma surpresa....), sem muito sucesso... Eu sou a única brasileira que classificaria tal idioma como "difícil"??

on quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 17:10:09